Uma existência a serviço da dignidade humana

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“Se você não existisse, que falta você faria?”
Mario Sergio Cortella 

 

A condição da existência de alguém, principalmente na questão profissional, em muito se relaciona às opções das escolhas pessoais. Portanto, a vida me ofertou uma única opção de dedicação: ser servidor público e, mais especificamente, exercendo minhas atividades em prol de uma das políticas públicas mais nobres que entendo ainda existir nesse terceiro milênio, qual seja, o assentamento de trabalhadores rurais – destaque meu.

Nesse contexto, em plena crise sanitária provocada pelo covid-19, home office, me senti incentivado a narrar minha modesta história na instituição que aprendi a amar. Dos cinquenta anos de existência do Incra, esse jovem dinossauro completou quarenta e quatro anos na autarquia. 

Conforme os princípios filosóficos, às vezes tão bem evidenciados por brilhantes palestrantes, a exemplo de Cortella, “não tem como entendermos os dias atuais se não recorrermos ao passado, inclusive, para nos projetarmos para o futuro”. 

Em 1972, no Maranhão, vivi a primeira experiência operacional, em terras devolutas da União. Na mata, fazendo serviços topógrafos, se não me engano entre os municípios de Barra do Corda e Grajaú, nossa equipe foi surpreendida com a intercepção de mais de trinta índios, da etnia Guajajara, aos gritos de: “terra índio, terra índio”. O episódio teve desdobramentos surpreendentemente positivos, mesmo que as expectativas fossem de muitas dúvidas. 

O primeiro trabalho no Incra, em agosto de 1976, foi, para a minha satisfação, compor um valoroso grupo, na maioria jovens como eu, que tinha a missão de implantar o maior projeto de colonização do Nordeste. O PEC Serra do Ramalho, com mais de duzentos e cinquenta mil hectares, nos municípios de Bom Jesus da Lapa e Carinhanha, Oeste da Bahia, originou-se devido à construção da barragem de Sobradinho, que inundou cidades e atingiu inúmeras comunidades ribeirinhas. Convivi com pessoas humildes e suas imensas carências. Mesmo tendo sido desalojadas à força, entravam em um lugar desconhecido cheias de esperanças de dias melhores.  

Essa bagagem profissional me deu condições de aceitar desafios intensos, a partir de novembro de 1988, já no meu torrão natal, minha pequena Paraíba. Em dezembro de 1997, liderei uma admirável equipe de colegas, na condição de superintendente regional. 

Mas, como sempre me comportei como agente público, e não como servidor de governo, devo dizer que não importam os cargos exercidos, e sim as ricas experiências vivenciadas que, por enquanto, somam quarenta e oito anos e quatro meses. Essas, sim, me convalidam a olhar para trás e a me sentir GENTE, agradecendo a Deus por ter chegado até aqui. 

Parafraseando meu guru, Mario Sergio Cortella, não sei se, deixando de existir, eu faria alguma falta, mas se eu não tivesse essa história de vida, não teria valido a pena ter existido.

Márcio Araújo

Servidor de carreira – Incra/PB

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