O Casarão da Santo Amaro 

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Há sete anos comecei a trabalhar na superintendência do Incra no Rio de Janeiro. Ao conversar com cariocas conscientes de seu rico patrimônio histórico, cultural e arquitetônico, muitos perguntavam – e ainda perguntam – se trabalho no Casarão da rua Santo Amaro, no bairro da Glória.

Infelizmente, não tive essa sorte. Em 2012, começou a reforma no prédio. A mudança da sede regional do instituto para outro espaço deveria ser temporária, mas não foi.

A história do Casarão remete a tempos de ouro. Construído em 1870, foi residência do Barão do Rio Negro até 1900. O empresário italiano Paschoal Segreto, segundo dono, transformou o solar em diferentes espaços culturais. Primeiramente, um teatro. Depois, um café-concerto e, por fim, o elegante Hight Life Club.

Em 1908, vieram os famosos bailes de carnaval. Até meados dos anos 50 tinha como frequentadores a elite financeira, política e representantes dos universos artísticos e intelectuais da então capital do país.

No ano de 1957, o prédio foi alugado pelo Serviço Social Rural. Em 1962, passou a ser da antiga Superintendência da Reforma Agrária (Supra), e em 1964, do Instituto Brasileiro da Reforma Agrária (Ibra), hoje, Incra.

Na metade da década de 1980, foi desocupado. Precisava de obras. Houve até quem defendesse a demolição. Por sorte, a pedido do próprio Incra, acabou sendo tombado em 1987, com decreto da Prefeitura do Rio. O retorno dos servidores ao imóvel só aconteceu 12 anos depois.

O lindo, e atualmente maltratado Casarão de três andares da Santo Amaro, em outros tempos espaço de boemia, alegria, poesia, agregou, assim, mais um simbolismo: local de importância das ações regionais pelo uso mais igualitário da terra. Passou a guardar, também, lembranças de quem constrói o dia a dia da política de acesso à terra e da produção dos agricultores que dela vivem, dependem e com ela nos alimentam.

Muitos colegas tiveram a sorte de trabalhar lá e falam com carinho do lugar aberto, arborizado. E eu fui “despertada” para a necessidade de cuidar e valorizar a estrutura, a memória e o patrimônio do Casarão da Santo Amaro.

Quem sabe não vejamos a criação de um Museu da História da Reforma Agrária lá? Um espaço de capacitação e formação dos servidores? Quem sabe não deixemos de usar “baias” para nos separar durante o serviço, e nos sentemos em frente às grandes janelas, vendo as árvores e estátuas dos leões do lado fora, seguindo nossa missão profissional de efetivar a política de regularização fundiária dos territórios quilombolas… Não desistir do Casarão é nosso dever como servidores. Patrimônio é identidade!

 

“Este prédio reflete a grandeza da SR-07, e merece ser situado na história do Incra como memória concreta, pois foi nele que efetivamente se alicerçou a ideia da reforma agrária.” (MATZZA, 2006, pp.50) 

Januária Pereira Mello 

Servidora do Serviço Quilombola do Incra/RJ

Fontes: 

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