“Como ela vai fazer se furar um pneu?”

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Lídia Noemí Paredes Peralta – Incra Mato Grosso do Sul
* Na foto, de colete azul.

Prestes a completar 40 anos de Incra (entrei em 17 de maio de 1982), e mesmo com longos períodos fora de casa e longe dos filhos, não desejaria outra vida senão esta. Sou realizada pessoal e profissionalmente e, o principal: tenho o aval das minhas crias, que entendem e sentem orgulho da missão para a qual fui destinada. Desde pequenos, os levei a assentamentos para conhecerem e compreenderem outras realidades.

Comecei trabalhando no Mato Grosso do Sul, meu estado natal, mas, fui transferida para a Paraíba em 1994. Só retornei ao Mato Grosso do Sul em 2015. Passei por situações tensas, mas, principalmente, tive momentos enriquecedores.

No ano 2000, depois de ter sido aprovada como empreendedora social em uma seleção interna, e sorteada para atuar na região do Cariri paraibano, fui a primeira mulher a dirigir uma viatura do órgão no estado. Logo veio o apelido de “Penélope cor de rosa”.

Alguns colegas costumavam se perguntar: “Como ela vai fazer se furar um pneu?”. Em dois anos, o pneu nunca furou.

Estradas afora, ajudei pessoas a aprender a ler e a escrever seus nomes. Acompanhei mutirões do Programa Nacional de Documentação da Trabalhadora Rural. Em cada lugar, olhos de uma gente simples, sem certidão de nascimento, sem identidade, sem “aparecer” como cidadão.

Participei de equipes de supervisão ocupacional em assentamentos. As famílias não encontradas abriam espaço para a chegada dos sonhos de outras.

Passei por vários setores, marquei presença em projetos relevantes, como a elaboração dos Planos de Desenvolvimento do Sub-Médio São Francisco e do Cariri paraibano, junto com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Durante 25 anos, fui servidora da área de Planejamento. Lá, pude ter a visão ampla de como funcionam esses entrelaçados mecanismos envolvendo as atividades administrativas e tudo o que é promovido pelo Incra no campo.

Hoje, atuo no núcleo de convênio da superintendência, onde pretendo me aposentar. Nesses anos todos, muitas viagens memoráveis, aprendizados, troca de experiências, dezenas de colegas queridos, alguns amigos eternos e um grande amor. Agradeço a todos os que fizeram parte, direta e indiretamente, da minha história.

Resumo afirmando o quanto é indescritível a sensação de prazer em ajudar trabalhadores do campo a se enxergarem como protagonistas de suas vidas, a sonharem com os títulos definitivos, a visualizarem um futuro melhor, a compreenderem que mais do que independentes, é fundamental serem livres.

Lídia Noemí Paredes Peralta

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